Passar pelos pingos da chuva...
Desde já, agradeço a oportunidade que me foi gentilmente concedida para escrever no blog do
bordel. E o que trago na manga? Mais uma vez o circo que é o futebol português.
Durante os últimos meses, e após uma época menos conseguida, o Porto, através de uma
gestão ‘inteligente’ (ou nem por isso, mas isso são outros quinhentos que vamos acompanhar
num futuro próximo), dos fundos, e em colaboração com o ‘testa de ferro’, Jorge Mendes,
conseguiu montar um plantel (não chamo equipa pelos motivos evidentes que vemos, jogo
após jogo) recheado de estrelas, estrelas que, dificilmente estariam por cá, não fossem essas
tais ‘engenharias financeiras’ e trocas de favores que fazem circular o dinheiro por esse mundo
fora.
Mas o que me traz aqui, não é o arriscado plano adoptado pela estrutura azul e branca, que a
meu ver, vendeu a alma tripeira, o espirito porto, em troca de nomes milagreiros que fossem
capazes de travar o bicampeonato de Jesus, ou pior ainda, a ascensão do Sporting ao lugar que
lhe pertence por direito e história, no topo do futebol português.
É certo que, os fundos, são tão importantes para os clubes como o cavalo é para os
toxicodependentes, quando se começa, o difícil é parar. E o Porto, viu-se sem recursos
financeiros, sem plano; o Paulo Fonseca acabou por ser uma má aposta; e com o Sporting a
ficar com a vaga de acesso directo a liga dos campeões, algo que não estava nos planos dos
azuis e brancos.
A juntar ao crescimento desportivo do Benfica de Jesus, ao ‘reorganizar’ das tropas leonino,
o clube azul e branco, vive por estes dias, uma autêntica guerra interna, onde a disputa
pelo lugar do Jorge Nuno, tem-se revelado uma intensa dor de cabeça, com imensos jogos
de bastidores, algo que para o líder, que não estava acostumado a ter de resolver tantos
problemas ao mesmo tempo, tem sido bastante desgastante.
A juntar a isso, as finanças do clube não são famosas, (algo que é transversal no futebol
português / europeu) e a crise no sistema bancário nacional, fizeram com que, a meu ver,
o Jorge Nuno, abdicasse, da alma tripeira e a vendesse ao amigo Jorge Mendes, para que
juntos, com benefícios para ambos, conseguissem equilibrar o barco, voltar as vitórias e dar
um espaço, para o Jorge Nuno conseguir respirar, e tomar as decisões mais acertadas para o
futuro do clube. (Falo claro, da transição de poder)
De forma a atingir o sucesso de uma forma mais imediata, pois a situação financeira assim o
exige, o Jorge Nuno, teve de se aliar a outro refém do actual sistema a base de fundos, nada
mais, nada menos, que o ‘velho inimigo’, o Luis Filipe Vieira.
Aposto que não deve ter sido nada fácil de engolir, mas interesses superiores chamavam, e
juntos, cozinharam um presidente da liga que fosse facilmente aliciado a agir de uma forma
positiva para os dois emblemas, tal como uma marioneta. Do resto, o Jorge Mendes tratava,
colocando jogadores por ele agenciados, um treinador promissor por ele agenciado, e com a
promessa de e através de algumas entrevistas cirúrgicas, procurar vincar a opinião do povo
português, onde manifesta que a solução dos fundos é a única que permite que a ambos os
clubes o sucesso nacional e a rivalidade com os maiores do futebol europeu.
É mais que obvio, que essa solução, não beneficia os clubes em questão, para além de não
beneficiar os produtos made in porto e made in benfica, que tem e muita qualidade. Essa
solução, só beneficia os interesses dos empresários, dos investidores, e suga todo o pouco
dinheiro que resta nos clubes, a troco de, ‘sucesso imediato’.
E eis que chegamos ao ponto que eu gostava de tocar.. ‘sucesso imediato’.
Salvo raras excepções, ele não acontece, a prova disso mesmo é o Porto deste ano, uma
punhada de talentos, todos reunidos, e mesmo contando com um sistema arbital sempre
favorável , que o quadro que anexo não desmente, não se consegue destacar. Faz exibições
8, depois outras 80, voltando rapidamente ao 8. Este ano, no Dragão, os azuis e brancos já
perderam por duas vezes com os seus principais opositores, algo inédito creio, se tivermos
só em conta os últimos 20 anos. Mas, e porque há sempre um mas, o clube continua a contar
com uma extraordinária organização de comunicação.

Este ano, todos os adeptos de futebol, tem se esquecido do Porto. Ele está ali, mas ninguém
dá muita importância, e ele ali está, a escaços 4 pontos, e com todas as condições de poder
lutar pelo título. Mas ninguém pressiona. Ninguém questiona os resultados, as arbitragens
favoráveis, os deslises, ou a insatisfação por, alguns dos seus jogadores não poderem jogar,
por estarem escondidos por trás de supostas ‘estrelas’ que mais não vieram fazer do que
amadurecer um pouco, não respeitando o manto, fazendo os mínimos para então no próximo
ano voltarem a casa mãe sem se lesionarem, e ai assim, lutar ferozmente pela camisola que
ambicionam.
Ainda ninguém falou das declarações do Jackson, e eu imagino, como seria se fosse um
jogador de outras cores a ter aquelas declarações, ao avançar em primeira mão que este é a
ultima época de azul e branco?
Que Porto é este? Como irá o formidável líder portista dar conta de todas estas guerras? Quem
está mais bem preparado para a sucessão? Esta política dos fundos é a mais acertada a médio
prazo? Será este o primeiro ano do porto sem referências porto?
Valia a pena pensar nisto...
Fábio Poço - 11.02.2015