Wednesday, April 15, 2015

Podcast #11 - Moderador Imparcial

O Podcast #11 do Bordel Futebolístico tem a ausência do seu moderador, Pedro Mota, pelo que tentámos fazer deste podcast uma conversa a três e não tanto o típico painel de comentadores ou "paineleiros". Dito isto, na nossa conversa falámos sobre os prognósticos para o grande embate do FC Porto contra o Bayern, discutimos as vitórias dos 3 Grandes nesta última jornada com enfoque especial em Quaresma, Jonas e Lima e Tanaka. Pelo meio ainda falamos sobre a polémica da final da Taça da Liga e, finalmente, temos a nossa rubrica que esperamos nós que se mantenha regular e semanal no nosso podcast, a Rubrica Rodolfo Simões.


Também pedimos uma ou outra coisa aos nossos Bordelistas/Bordeleiros ao longo do nosso podcast. Pedimos que fiquem atentos e respondam com critério aos nossos pedidos, se possível.



Um resto de bom dia e uma boa semana.




Wednesday, April 1, 2015

A Selecção de Portugal: a A

Num ano em que existirá um Europeu de Sub 21 com Portugal como um forte outsider para vencer a competição, parece-me seguro dizer que daí advirão novos e valorosos jogadores que voltarão a dar uma qualidade e atributos a uma Selecção A que começa a acusar alguma veterania e, pior do que isso, demonstra incapacidade e fraquejo ao ombrear com selecções do Top 10 Mundial. Jogadores como Ruben Neves, Bernardo Silva, Raphael Guerreiro, só para referir alguns, mostram que o futuro a médio/longo prazo da Selecção Portuguesa estará mais ou menos assegurado e acredito que haverão alguns que terão fortes possibilidades de serem convocados para o Europeu de 2016 em França, isto caso consigamos a esperada qualificação.


Até lá, temos uma Selecção A com um caminho a fazer, numa qualificação que começou muito mal e ditou a demissão (ou afastamento) de Paulo Bento. O seu substituto foi um senhor que parece que está sempre a ser sufocado pela sua gravata (ver foto abaixo), um engenheiro que é o homem ideal para este cargo de seleccionador. Fernando Santos chega à Selecção Nacional com a aprovação dos 3 Grandes de Portugal, coisa mais rara de se ver que uma lula a tocar oboé com os dentes... se os tivesse. É um treinador ponderado, que se adapta às circunstâncias do tempo e da actualidade. Em termos tácticos e do conhecimento dos jogadores e do jogo dá 15 a 0 a Paulo Bento e Carlos Queiroz fundidos. Quem viu Dragon Ball Z sabe do que eu estou a falar. O que eu quero dizer é que é o homem certo no momento certo para o lugar certo. Digo eu que percebo muito de fruta.



Com Fernando Santos ficámos a ganhar. Primeiro, ganhámos mais opções, tivemos uma aposta mais forte na convocatória de novos jogadores e uma maior variedade de escolhas em todos os sectores, trazendo de volta até alguns jogadores que tinham ficado "chateados" com Paulo Bento, casos de Bosingwa e Ricardo "Bombeiro" Carvalho. O Tiago já tinha deixado de vir antes. Por aqui também se vê logo as guerras e guerrinhas que vários jogadores tiveram com o mister Paulo Bento. Com o Paulinho eram aqueles 18, 19 jogadores e mai nada, já se sabe. Mas divago.

O trabalho que está a ser feito por Rui Jorge nos Sub 21 também irá contribuir bastante para a renovação que se adivinha próxima. Nem na altura dos Sub 21 de Moutinho, Quaresma e companhia tínhamos uma selecção de esperanças tão forte como a actual e isso deve-se ao excelente trabalho do Rui Jorge de quem, diga-se, desconfiei inicialmente para o lugar. Mea culpa feita. Ou seja, a Selecção Portuguesa de Futebol tem finalmente  e de novo um plano para o futuro, uma aposta em jovens valores, uma estrutura que irá permitir, tal como no final dos anos 80 e anos 90 com Carlos Queiroz como seleccionador o surgimento de jogadores portugueses de qualidade, uma estirpe superior, uma ou mais gerações de ouro. Considerem isto como o FC Portugal, por exemplo, um clube nacional que aposta, desde as suas camadas mais jovens, no jogador português pois parece que os 3 Grandes (ainda) não o fazem em números aceitáveis. Sim, excepto o Sporting. OK? Moving on!



Um aparte. Eu posso considerar Carlos Queiroz uma besta que perdeu €700m no BES, mas tenho que admitir que o trabalho feito por ele e a sua equipa técnica na altura dos delfins Rui Costa, Figo, JVP e outros foi algo que permitiu, até hoje, manter a nossa Selecção a um nível elevadíssimo. Permitiu-nos ir a fases finais de Mundiais e Europeus em catadupa. O Professor professor foi nessa altura. Permitiu suportar uma Selecção que, não fosse o aparecimento dum tal de Cristiano Ronaldo no Sporting CP e um José Mourinho no FC Porto por volta de 2002 e 2003, certamente já teria ido por aí abaixo muitos anos antes. Tivemos a sorte (ou o relaxamento) de um dos melhores jogadores de sempre da modalidade ser português e de José Mourinho ter criado no FC Porto uma espinha dorsal que alimentou a Selecção Nacional durante uma boa meia dúzia de anos.




Voltando ao Nando, com Fernando Santos ganhámos mais uma ou outra coisa. Ganhámos capacidade de adaptação ao adversário. Cada jogo é um jogo e é para jogar de forma diferente. Isto é atenção ao detalhe, é definir tacticamente uma equipa e dispô-la em campo com alterações ligeiras ou profundas em caso de extrema necessidade. A identidade, essa mantém-se. Ou na pior das hipóteses fica em stand by até ganhar maturidade nos processos de ataque, defesa, transição ofensiva e defensiva. Desde que Fernando Santos chegou à Selecção, Portugal já jogou no seu típico 4-3-3, em 4-4-2 losango e 4-4-2 clássico, sendo este último usado contra a Sérvia. Com esta alternância de modelos de jogo e com o passar do tempo penso que iremos ter capacidade de nos moldarmos a outro tipo de desafios, teremos mais sistemas para abordar um jogo. Dado que, para já, a qualificação está bem encaminhada, acho que deve ser feito o esforço nem que seja para termos um modelo de jogo alternativo e válido para o nosso típico 4-3-3. Isto se não passar a ser o principal, claro. De resto, sim, nota-se que a Selecção não é natural a jogar noutro esquema que não o habitual, algo que já está na sua génese. Joga quase incomodada, sem chama. No ataque, vê-se que as coisas emperram, não correm da melhor forma, há pouca gente no ataque, pouca fluidez e há uma grande demora e lentidão a municiar o ataque, daí que o tempo será essencial para perceber se um 4-4-2 será viável para esta Selecção. 

Em termos de resultados práticos, até podemos não gostar da forma como a Selecção Portuguesa está a jogar, até pode não impressionar, as grandes exibições não se vêem e a equipa parece presa e lenta, masssss... por outro lado, a equipa sofreu o seu primeiro golo no Domingo passado, apenas e só ao 4ºjogo. Esse golo nem teria sido válido se o Dr Picanha (Eliseu para os mais distraídos) tivesse saído do poste rapidamente e não estivesse a sonhar com uma travessa de... vocês sabem. Pelo meio fomos à Dinamarca onde não ganhávamos há 37 anos (1-0), jogámos com a Argentina que não ganhávamos há 42 anos (1-0), ganhámos 1-0 à Arménia e agora 2-1 à Sérvia que, diga-se, nunca tínhamos ganho também. Parecemos a Itália ou até a Grécia a jogar? Parecemos, sim senhora. Estamos a ganhar todos os jogos pela margem mínima? Com certeza que sim. O Patrício continua a ser uma merda com os pés? Há coisas que nunca vão mudar. Mas sabem quem é que ganhou sempre pela margem mínima e foi campeã europeia de futebol? A Grécia. Já a outra é tetracampeã do Mundo e campeã da Europa também. Uma vez.

Fernando Santos pode ser muita coisa, mas é tudo menos parvo. Para já, está a construir a equipa de trás para a frente. Está a fortalecer a equipa na defesa e meio campo e felizmente o ataque tem chegado para as encomendas. A equipa está coesa, vemos os nossos adversários terem muito poucas oportunidades e estamos a preencher de forma sublime o nosso meio campo, o que desde logo retira capacidade de jogar pelo meio restando-lhes jogar pelas alas, algo muito visto no jogo feito pela Sérvia. Isto significa um maior trabalho defensivo por parte dos extremos. Veja-se Nani neste jogo, sempre muito solidário com Bosingwa e veja-se Fábio Coentrão do outro lado, um autêntico ala à moda antiga aparecendo à frente e atrás inúmeras vezes. Claro que isto retira capacidade ofensiva e clarividência no ataque e daí a sensação do ataque ser mais lento e com menos rasgos. A transição ofensiva é praticamente abandonada neste sistema e o ataque passa a ser invariavelmente continuado, em posse. Acredito que as basculações e o jogar dentro/jogar fora será aprimorado nesta equipa e aí talvez possamos vê-la a jogar num 4-4-2 losango. Penso que é para aí que caminha. Ou assim o espero. Feita esta transição, o ataque vai melhorar certamente. Com intérpretes no losango como William Carvalho, Tiago ou Moutinho e tendo ainda Nani no exterior só pode correr bem. Aproveito para dizer que Danny pode sair da Selecção. Imediatamente. E aproveito para pedir que alguém me explique o que ele esteve a fazer OITENTA E CINCO MINUTOS EM CAMPO. Porque eu compreendo tudo o que Fernando Santos está a fazer e percebo o grande esquema da coisa, mas o Danny eu não compreendo. A sério! 

Mas dizia eu, o problema não está no meio campo ou na defesa. O problema e resolução de todos os nossos males está lá à frente. Temos Cristiano Ronaldo que deverá ser (como foi neste último jogo) o avançado mais móvel flectindo bastantes vezes da esquerda para o meio que é onde ele é mais forte. A diferença aqui será tentar ser o apoio ao ponta-de-lança. Ou melhor, haver um ponta-de-lança que seja o pivot para Ronaldo e a restante equipa. Um jogador que permita esticar o jogo, dar profundidade, saber jogar de costas, ser uma tabelinha fácil, saber jogar entrelinhas, isso tudo. Problema dos últimos 20 ou 30 anos? Os pontas-de-lança são fraquíssimos. OK, uma valente merda. O único mais ou menos foi o Nuno Gomes. Porquê? Porque tinha tábuas de madeira em vez de pés e pernas e sabia jogar bem de costas para a baliza. Era como estar num ringue à antiga e chutar a bola contra a tabela para a receber do outro lado. Simples. De resto, Pauleta (não brinquem comigo), Hélder Postiga, Hugo Almeida e Éder(zito) foram os últimos. De lenhadores a carteiros a vendedores de queijos Limiano, tivemos tudo menos jogadores de futebol. Tivemos Nelson Oliveira que se eclipsou (por culpa própria ou não) depois do excelente Mundial de Sub 20, temos agora Gonçalo Paciência e Gonçalo Guedes. Um deles tem que se fazer um homenzinho e tornar-se aquele ponta-de-lança que eu e todos os portugueses andamos à espera desde o Fernando "Bibota de Ouro" Gomes. E com um pinheiro ali no meio, lá à frente, meus amigos, tudo é possível. Com os eucaliptos que temos tido, nem tanto.



Se acho que seremos campeões da Europa com Fernando Santos? Tenho dúvidas, até porque a nossa Selecção está como o povo, envelhecida e a transição da "velha" Selecção para a "nova" será feita nos próximos 2, 3 anos. Pelo meio, estará o Europeu. Isso, contudo, será matéria para outro artigo. No fim, quero deixar este pensamento: se ganharmos os próximos 10 jogos oficiais pela margem mínima somos campeões da Europa. E se a Grécia conseguiu...