Wednesday, January 4, 2017

Porto e o Lobo

Antes de falar sobre o assunto que me faz escrever este texto, quero dizer o seguinte: o Guterres é o Pedro Barbosa da ONU. Exacto. Isto foi dito no programa Governo Sombra por João Miguel Tavares, na 6ªfeira passada. Pedro Barbosa era um falso lento, dizem. Isto faz com que António Guterres seja um falso mole. Conclusão óbvia e perceptível. Quem não consegue ver isto é porque não percebe mesmo nada de política. Como vêem, o Bordel Futebolístico não se cinge ao futebol. O Bordel é política, o Bordel é cor, o Bordel é alegria. O Bordel é uma maravilha. A oitava, provavelmente.


E chegámos. O FC Porto foi ontem afastado da Taça da Liga. Ficou no último lugar do seu grupo pelo 2ºano consecutivo. Eu, que me revejo na posição do FC Porto de ver esta competição como uma oportunidade para colocar a jogar segundas linhas e dar minutos de jogo a jogadores menos utilizados e jovens, tenho, contudo, sérias dificuldades em aceitar a atitude como o Porto encara estes jogos. É que uma coisa é colocar a Taça da Liga abaixo na lista de prioridades, outra completamente diferente é não ir a jogo e desconsiderar quase por completo a competição. Os resultados dos últimos anos falam por mim, não pode haver outro olhar para este desaire. Este desprezo pela competição já está tão enraizado que isso se nota na forma como o clube aborda estes jogos e, por consequência, como os jogadores os jogam. Parece que jogamos para passar tempo, por pirraça, quando não devia ser esse o plano. Não deixa de ser uma competição nacional, uma taça para o museu, uma possibilidade de jogar e ganhar aos nossos maiores rivais. O que o FC Porto faz hoje em dia com esta taça é uma estupidez. Com esta forma de estar, o FC Porto quase que faz um manifesto de que o Torneio do Guadiana ou a Taça Eusébio são títulos mais apetecíveis. Uma autêntica parvoíce.

Mas - e hoje há um mas daqueles - também não vou passar uma borracha sobre o que tem sido esta época no que toca a arbitragens. O Porto hoje em dia está como o Pedro no conto de Pedro e o Lobo. Está sempre a gritar pénalti e ninguém liga. A diferença do conto para a realidade, claro está, é que o lobo só apareceu mesmo no final e comeu as ovelhas. Já o Porto anda a ser comido desde o início da época com um fiozinho de azeite e uma caminha de batata. Levar ao forno durante 40 minutos a uma temperatura de 200ºC e servir com uma salada. Se o Porto fosse um pastor, estaria a ser atacado 3 a 4 vezes ao dia e estaria em processo de ser sodomizado pelo lobo duma forma não-consensual. Por trás.

O resultado final acaba por ser o mesmo do do conto: o Porto grita lobo, lobo e ninguém acredita, tal é a frequência com que o faz. Ou fazem por não acreditar. Evocam razões históricas para o sucedido, dizem que o que sucede hoje é merecido por causa do dia de ontem ou então puro e simplesmente dizem que exageramos, ou pior, mentimos. Também não se pode esperar solidariedade por parte de quem é nosso adversário e rival. Está para chegar o dia em que o Benfica e demais adeptos venham dizer algo como "Ouçam, vocês estão a ser muito bem roubadinhos e têm imensas razões de queixa. Realmente, este ano tem sido uma vergonha e vocês só não foram campeões, porque foram irremediavelmente espoliados. Estamos solidários convosco e deveríamos juntar esforços na luta por um futebol mais justo, mais transparente, menos dado a erros e influências. Viva Portugal!" E quem diz Benfica diz Porto ou Sporting ou quaisquer outros clubes que sejam rivais. Não acontece. Um adepto vai sempre ver o seu clube a ser espoliado de forma dramática enquanto os outros o vão descredibilizar. Futebol é isto: paixão e ódio, felicidade e inveja. 

Sobre o jogo de ontem, notei algo diferente, sou sincero. O FC Porto tanto se queixou da inoperância das equipas de arbitragem ao longo da época que os árbitros mudaram a sua forma de actuar, ao que parece. Antes queixávamo-nos de pénaltis não-assinalados e golos mal anulados. Questionávamos o porquê de ficarem ali sossegados sem fazerem nada. Mas tudo isso mudou. Agora, de forma activa, dão um encontrão aos nossos jogadores e expulsam-nos de seguida. Por trás. Não podemos acusá-los de já não serem um elemento participativo no jogo. Não só vêem os lances como agora os provocam. É um novo capítulo na história da arbitragem portuguesa. Se a restante equipa de arbitragem seguir o exemplo, podemos ficar sem Alex Telles e Corona por encontrões dos árbitros auxiliares. E se o 4ºárbitro se lembra de se mandar ao NES, ficamos sem treinador durante uns tempos. Parece que isso de não ter treinador tem dados frutos noutra freguesia, daí que... Também não me admirará que o delegado de jogo se atire para o colo do Sr. Presidente e diga que Pinto da Costa teve uma linguagem pouco própria para uma pessoa que estava a dar colinho e de mamar. 

Nos próximos tempos, podemos ter toda uma estrutura suspensa por causa disto, por isso é melhor começar a ter cuidado e ver onde é que os outros metem os pés. É que isto da prevenção nunca é demais. 

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